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Maria Margarida do Carmo Mendes Tengarrinha Campos Costa

Margarida Tengarrinha

Nasceu em Portimão, em 7 de maio de 1928, filha de Teresa do Carmo Tengarrinha e José Mendes Tengarrinha, e faleceu em Faro, a 26 de outubro de 2023. Era ainda muito jovem quando trocou Portimão e o conforto familiar pela participação na conquista de uma vida de dignidade para as conserveiras e os pescadores, que tão bem conhecia. 
Tinha 20 anos quando, em 1948, entrou para o MUD Juvenil e se tornou ativista deste movimento, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL). Em meados de 1952 foi expulsa da ESBAL, proibida de frequentar todas as Faculdades do país e impedida de lecionar na Escola Preparatória Paula Vicente, onde era professora: o regime reprimia-a assim pela sua ativa participação na luta pela Paz, pelo desarmamento atómico e contra a reunião ministerial da NATO em Lisboa. Nesse ano tornou-se militante do PCP. Participou no Congresso Mundial de Mulheres realizado em Copenhaga em 1953 e, em 1963 em Moscovo. Em 1955, passou à militância clandestina do PCP com o seu companheiro, o escultor José Dias Coelho. 
A primeira tarefa do casal consistiu na criação de uma “oficina” de produção de documentos de identificação e outros necessários à intervenção clandestina do PCP
Em 19 de Dezembro de 1961, (estavam então numa casa clandestina em Lisboa), José Dias Coelho, seu companheiro e pai das suas duas filhas, foi assassinado a tiro por uma brigada da PIDE, chefiada por José Gonçalves, junto ao n.º 30 da Rua dos Lusíadas, em Alcântara.
O assassinato levou o cantor José Afonso a escrever e dedicar-lhe a música A Morte Saiu à Rua (https://www.youtube.com/watch?v=FgGm7M8fwjQ). Também o grupo Trovante lhe dedicoi a música Flor da Vida (https://www.antiwarsongs.org/canzone.php?id=60672&lang=en).
Margarida só teve a notícia dias depois e, suspeitando, que houvera uma denúncia da atividade que ambos levavam a cabo, para evitar ser presa abandonou a casa clandestina em que se encontrava. Levando ao colo a filha mais nova, recorreu a diversos apoios, sem nunca interromper as suas tarefas de “falsificadora”.
Partiu seguidamente para o exílio. De 1962 a 1968 trabalhou com Álvaro Cunhal na União Soviética e, depois, como redatora da Rádio Portugal Livre, em Bucareste. 
Regressou a Portugal em 1968, tendo participado na redação do «avante!» e do jornal «A Terra». Em 1970, torna-se companheira de Carlos Costa e assume tarefas na Direcção Regional do Norte, designadamente nos organismos do Trabalho Camponês, continuando a colaborar no "avante!".
Em Maio de 1974, após 20 anos de clandestinidade, é chamada ao Comité Central do PCP, onde permanece até 1988, assumindo também funções de deputada à Assembleia da República, eleita pelo círculo eleitoral de Faro, nas III e IV legislaturas.
Desde 1986 a viver em Portimão, integrou a Direção da Organização Regional do Algarve do PCP.
Margarida Tengarrinha é autora dos livros “Samora Barros, pintor do Algarve”, “Da Memória do Povo - recolha da tradição oral do concelho de Portimão”, “Quadros da memória” e “Memórias de uma Falsificadora - A Luta na Clandestinidade pela Liberdade em Portugal”. Fez ainda ilustrações para dois livros: "Um Algarve outro, contado de boca em boca: estórias, ditos, mezinhas, adivinhas e o mais", texto de Glória Marreiros (1999) e "Leonor Leonoreta : ensaio de ternura : novela poética", texto de Filipe Chinita (2015).
Fez parte da presidência honorária do Conselho Português para a Paz e Cooperação e colaborou na homenagem a Maria Lamas realizada pelo MDM, em maio de 2004, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett do Porto.
Em 2014, foi-lhe atribuído pela Direção Regional da Cultura do Algarve o prémio “Maria Veleda”, pelo percurso de vida ligado à cultura, à defesa dos direitos da mulher e à cidadania.
Comunista até à sua morte, Margarida Tengarrinha participou em numerosas iniciativas e debates da esquerda sobre a luta contra o fascismo, pela Paz e pela Liberdade.
Em 2018, foi uma das signatárias da iniciativa de criação do «Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos (1926-1974)», assumido pela Câmara Municipal de Lisboa e de que se ignora ainda a concretização.

Faleceu em Faro no dia 26 de outubro de 2023.