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Mário dos Santos Castelhano

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Data aproximada da primeira prisão
junho de 1927

Destacado dirigente anarco-sindicalista, participou em movimentos insurreccionais contra a ditadura, foi preso e deportado por diversas vezes, julgado em Tribunal Especial, acabando por morrer no Tarrafal, com 44 anos.
Mário Castelhano nasceu em Lisboa, em 31 de maio de 1896, e faleceu no Tarrafal, Cabo Verde, a 12 de Outubro de 1940, com 50 anos. Foi um destacado militante anarco-sindicalista dos anos 20 e 30. De origem modesta, começou a trabalhar aos 14 anos na Companhia Portuguesa dos Caminhos-de-Ferro, participado nas greves de 1911, 1918 e 1920, vindo a ser despedido pela sua participação na organização destas últimas greves. Passou então a ocupar-se em actividades de escrituração no Sindicato de Ferroviários de Lisboa, na Federação Ferroviária e na Confederação Geral do Trabalho. Membro da comissão executiva da Federação Ferroviária, ficou com o pelouro das relações internacionais e a responsabilidade de redactor-principal do jornal A Federação Ferroviária. Dirigiu também os jornais O Ferroviário e O Rápido.
Participou na reorganização do Conselho Confederal da Confederação Geral do Trabalho, após o 28 de Maio de 1926, de onde saiu eleito responsável do novo secretariado e redactor-principal de A Batalha. Após a tentativa insurreccional de Fevereiro de 1927, a repressão policial acentuou-se, a CGT é ilegalizada e o jornal A Batalha assaltado, vindo Mário Castelhano a ser preso em Outubro do mesmo ano e deportado no mês seguinte para Angola, onde ficou dois anos em Vila Nova de Seles (atual Uku-Seles), na província de Cuanza Sul.
Em Setembro de 1930, é deportado para os Açores e, em Abril de 1931, para a Madeira, onde desembarca a 6 de abril de 1931, dois dias depois do início da revolta da Madeira, participando nesta insurreição contra a ditadura.
Após a derrota da revolta, embarca clandestinamente para o Continente no porão do navio Niassa.
Em 1933, Castelhano estava de novo à frente do secretariado da CGT e integrou o grupo que organizou o 18 de Janeiro de 1934. Preso de novo a 15 de Janeiro, três dias antes da data de eclosão da greve geral revolucionária, é condenado, em 8 de março de 1934, pelo Tribunal Militar Especial, a 16 anos de degredo. Embarcou em 8 de Setembro de 1934, com destino à Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo e, em 23 de Outubro de 1936, é levado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde virá a morrer, a 12 de Outubro de 1940.
Em 1975, o seu livro "Quatro Anos de Deportação" seria editado em Lisboa pela «Seara Nova».
Foi condecorado, postumamente, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, a 30 de Junho de 1980.
Mário Castelhano tem, passados quase 39 anos, desde a publicação do Edital de 19/06/1979, uma artéria que o homenageia, na Freguesia das Avenidas Novas, no que era um troço da Avenida António Augusto de Aguiar entre as Ruas Dr. Álvaro de Castro e Cardeal Mercier, com a legenda «Sindicalista/1896–1940». A sugestão aceite pela edilidade partiu de Emídio Santana, outro sindicalista libertário.