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Abertura do campo de concentração doTarrafal

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Gradão no campo de concentração do Tarrafal

Há 85 anos, no dia 29 de outubro de 1936, o navio "Loanda" aportou à baía do Tarrafal, no extremo norte da ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde, então uma colónia portuguesa.
Esse vapor, propriedade da Companhia Colonial de Navegação, armado em transporte de guerra, recebera instruções do Ministéria da Marinha, assinadas por um tal Américo Tomás, para transportar "presos políticos e sociais" com destino à nova "Colónia Penal de Cabo Verde" - na verdade, o campo de concentração do Tarrafal, mandado construir por Salazar por despacho de 8 de outubro de 1935.
O navio dirigira-se primeiramente à Ilha da Madeira, onde recolheu presos da Revolta do Leite, ocorrida nesse ano de 1936, e seguiu depois para a Ilha Terceira, nos Açores, onde descarregou esses presos e embarcou muitos que ali se encontravam encarcerados na Fortaleza de S. João Batista, em Angra do Heroísmo, levando-os para o Tarrafal, onde chegou onze dias após a sua partida de Lisboa.
152 presos políticos e sociais foram desembarcados na baía do Tarrafal e, a pé, guardados por agentes da PVDE e militares, percorreram o caminho até à localização do campo de concentração, cujas obras ainda nem sequer estavam concluídas.
Quem eram esses presos?
Muitos dos principais dirigentes comunistas e libertários e muitos dos participantes na Greve Geral de 18 de janeiro de 1934 e na Revolta dos Marinheiros de 8 de setembro de 1936
, a que se juntarão, em várias levas, muitos outros combatentes pela Liberdade, incluindo estrangeiros que haviam caído nas mãos da polícia política.

Entre 1936 e 1954, data de saída do último preso político desta fase do campo de concentração do Tarrafal, foram ali encarcerados mais de 360 presos - que o governo fascista pretendia isolar da sociedade ou mesmo eliminar fisicamente, através da violência prisional, dos castigos permanentes e dos trabalhos forçados, da falta de assistência médica e medicamentosa e das tentativas de quebrar a dignidade de quantos ali se encontravam.

32 anti-fascistas portugueses ali perderão a vida entre 1937 e 1948.

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Cemitério do campo de concentração do Tarrafal

Como é sabido, o campo de concentração do Tarrafal viria a ser reaberto em 1961, então crismado de "Campo de Trabalho de Chão Bom" pelo então ministro do Ultramar Adriano Moreira, recebendo nacionalistas africanos (da Guiné, de Angola e de Cabo Verde. E novamente aí se verificarão mais 4 mortes, desta feita de 2 angolanos e de 2 guineenses.